Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra

“Um sorriso negro, um abraço negro traz felicidade”…

 zumbiEm 20 de novembro de 1695, foi morto Zumbi, liderança negra do Quilombo de Palmares, entre Alagoas e Pernambuco, onde construiu com os palmarinos, uma verdadeira República Socialista Democrática.

A data acima, foi ressignificada nos anos 1970, pelos movimentos negros brasileiros, como contestação ao 13 de maio, da farsa Abolição, ficando esse como Dia Nacional de luta contra o racismo.

 Portanto, o 20 de novembro é dia de celebrar Zumbi e a Consciência Negra, como busca da memória histórica e da identidade africana renegadas ao longo dos séculos, no sentido de desconstruir o racismo, que se manifesta de diversas formas. Celebrar também nossas raízes, a “Mama África”, os africanos(as) e seus valores civilizatórios – a cosmovisão africana que muito contribui na formação da cultura afro-brasileira.

 Por isso, o 20 de novembro foi incorporado no calendário escolar pela lei federal 10.639/2003, como dia a ser comemorado e desenvolvido em todas as Instituições Educacionais da rede pública e particular, tornando obrigatório o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africanas. E a temática indígena para incluir a valorização da cultura desses povos com a lei 11.645/2008, alterando a de 2003.

Infelizmente o cumprimento da lei, depende da vontade política de governos e Instituições Escolares, restringindo a educadores(as) isolados comprometidos com a questão étnico-racial, que nem sequer tem seu trabalho divulgado.

Cumprir as diretrizes da lei pressupõe o combate ao racismo e o “mito da democracia racial”, (que nos ensinou o sociólogo militante Florestan Fernandes) origem da desigualdade social. Racismo criminoso que leva ao fracasso e a evasão escolar, a desumanização do outro e tantos conflitos desnecessários destruidores do processo civilizatório. Dizer que a Educação é tudo é um grotesco equívoco, e responsabilizar somente a Escola para promover a cidadania das pessoas também, pois toda a sociedade é responsável. No entanto, a escola deveria ser o lugar por excelência da formação cidadã, o que não permitiu a hegemonia ocidental ao longo do século XX, como dizia a pensadora alemã Hannah Arendt.

É bom lembrar que o Brasil é o país da diversidade, mas é também da intolerância racial, machista, xenofóbica, homofóbica, religiosa, e a opressão é estrutural em sua gênese em decorrência do modo capitalista de pensar, construído ao longo da História. Assim, ninguém nasce racista, preconceituoso(a), o que se criou foi um sistema (político, econômico e social) classificatório de superioridade e inferioridade, baseado na cor das pessoas, negando sua identidade, seus referenciais valorizando a cultura européia e ignorando a cultura africana, indígena e asiática.

O 20 de novembro é para afirmarmos que não existe somente uma forma de estar no mundo e que a diversidade precisa ser respeitada. É para reconhecermos nossos holocaustos e lutos, para que não voltemos aos espaços do escravismo, da ditadura empresarial militar e das políticas neoliberais dos anos 1990 que desumanizou e liquidou o Brasil. “Para que não se esqueça e nunca mais aconteça”.

O 20 de novembro é para reafirmar a necessidade de uma reforma radical no currículo escolar, que tenha a diversidade e a equidade como princípio para aprimorarmos a nossa democracia, afinal “ser mestre(a) e ensinar a felicidade”, no dizer de Rubem Alves.

É urgente também uma profunda reforma no sistema político brasileiro na perspectiva das forças populares para que tenhamos um Congresso que represente o povo em geral e não um Congresso e outras instituições da República aliados à imprensa comercial conservadora, oligárquica que impedem o avanço do nosso projeto democrático e popular para o Brasil. Neste ano eleitoral não faltou a violência fascista querendo eliminar o outro, o diferente, e a cruzada de política ofensiva, ultrapassada e golpista, que apostou todas as fichas em derrotar nossas conquistas desses últimos 12 anos.

 Neste 20 de novembro, não pode faltar uma kizomba, uma festa na Escola, em qualquer lugar, com música, dança, recital, histórias, brincadeiras e um cardápio africano e indígena, para homenagear Zumbi e valorizar nossa cultura afro-indígena, como riqueza, no sentido mais amplo de promover a igualdade étnico-racial e os direitos humanos.

 Valeu Zumbi, o grito forte dos palmares!

 Secretaria de Formação Política do PT

Profª Joana Darc Faria de Souza e Silva/Oscar Henrique de Souza e Silva

Sobre mulheresdoforum

sou aposentada. Viajo bastante e quero usar este espaço para trocar informaçoes sobre política, cidadania, etc
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