DIA NACIONAL DE TEREZA DE BENGUELA E DA MULHER NEGRA

“(…) a gente nasce preta, mulata, parda, marrom, roxinha, dentre outras, mas, tornar-se negra é uma conquista”. (Lélia Gonzalez)

25 de julho, como Dia Internacional para aprofundar as reflexões das problemáticas e lutas específicas das mulheres negras, tem origem no I Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, em 1992, na República Dominicana, com representações de setenta países.

Na oportunidade, é necessário e justo prestar homenagens àquelas que romperam padrões capitalistas, por uma vida melhor em suas comunidades, em todas as regiões do país, como Tereza de Benguela, rainha e heroína, líder do Quilombo de Quariterê (Mato Grosso), que ali resistiu à escravidão, por duas décadas (l750-70).

Assim reconhecida, a Presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.987, de setembro de 2014, instituindo o 25 de julho como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

No Brasil, o movimento de mulheres negras pelo direito à diferença e o enfrentamento das opressões de gênero étnico racial e de classe é no sentido de incluir na luta feminista às demandas específicas as mulheres negras (hoje mais da metade das brasileiras), ou seja, “Enegrecer o Feminismo”, para aperfeiçoar nossa jovem democracia.

“Nossos passos vêm de longe”, na memória de Sueli Carneiro (Geledes – Inst. Da Mulher Negra – SP), foi com esses passos vindos de longe, que as mulheres negras souberam abrir caminhos em todos os espaços  da sociedade brasileira, com ser político, social, livres e capazes, quando o feminismo apenas despontava.

Foram elas as primeiras feirantes do país, dominavam o comércio ambulante como forma de sobrevivência e suas famílias, reinventando suas vidas, a exemplo de seus ancestrais. Embora tendo conquistado do direito do ensino público somente em 1870, nos deram o exemplo, resistindo barreiras e o preconceito em diferentes cenários da nossa História, como quilombolas, benzedeiras, mucamas, rendeiras, quituteiras, escravizadas, alforriadas, quitandeiras, rezadeiras, parteiras, curandeiras, mães de santos (e de tantos) ialorixás, babalorixás, mocambeiras, vendedeiras, reitoras, médicas, atrizes, jornalistas, atletas, ministras etc… como se vê, muito se fez, mas há muito o que fazer nos porões do preconceito. Atualmente, apesar das ameaças nazifascistas financiadas a partir do Pentágono, que vem sofrendo nossa democracia e outros países da América Latina e Caribe, não deixaremos de dar visibilidade ao 25 de julho e lembrar de referências importantes como Tereza de Benguela, como também do manifesto da Marcha das Mulheres Negras na luta contra o racismo, a violência e sexismo historicamente construído em suas vidas.

E, para encerrar, com o lema “Mais Amor e Mais Democracia”, do teólogo Leonardo Boff, vale lembrar, também, de Cora Coralina: “Eu sou aquela mulher que faz a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores”.

Professora Joana Darc Faria de Souza e Silva

SECRETÁRIA DE FORMAÇÃO POLÍTICA – PT – TOLEDO – PR.

25 DE JULHO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA LATINO-AMERICANA E CARIBENHA

Sobre mulheresdoforum

sou aposentada. Viajo bastante e quero usar este espaço para trocar informaçoes sobre política, cidadania, etc
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