Apenas mais uma Brasileira

Em uma semana cheia de escândalos, matérias e notícias, a minha preocupação chega a tal ponto que apenas dividindo com mais pessoas essa indignação, quem sabe, diminuirá.

O que me assusta não é um político homofóbico e preconceituoso, porque isso infelizmente cada dia parece ser mais comum, o que me espanta é que esse tipo de pessoa representa uma camada da sociedade que aplaude e diz que o tal político está certo em ir a uma emissora de TV e dizer sua opinião. Esse senhor não foi apenas eleito uma única vez, infelizmente, segundo um site de busca cumpre seu SEXTO mandato.

Penso que nossa nação mesmo tendo os seus “dois pés na cozinha” ainda insiste ser “raça pura”, que esse senhor “fala o que pensa” porque possui imunidade parlamentar. Onde está a ética? Será mesmo que ainda queremos políticos que matam a 190Km? Preconceituosos? Ladrões? Corruptos? E pior… Impunes.

Somos diariamente bombardeados por notícias de casos de homofobia, como o vídeo do adolescente sendo espancado por um colega que a menos de uma semana estava pedindo ajuda com uma “mina”, e depois de um boato, filmou esse ato e jogou na “rede” se achando o máximo por bater em uma pessoa que nem sequer fez questão de se defender, ou a matéria sobre uma comissão que informou a morte de 260 pessoas em 2010 pelo simples fato de amarem quem a sociedade não aprova, mostrando o crescimento de 31,3% em relação ao mesmo período de 2009.

Moro em uma cidade onde a população se acha de “primeiro mundo”, evoluída, sua educação é a melhor do país, organização exemplar, ruas limpas, mas acolhe a segunda maior “comunidade” nazista do país. Todos sabem os lugares que frequentam para se divertir, para se impor e para espancar e matar “judeus, negros, homossexuais e nordestinos” o pior é que muitos deles são descendentes destas pessoas, mas nada acontece porque infelizmente esse tipo de “ser” normalmente é um filho de papai importante, delegado, juiz, promotor, policial ou político como aquele que falei agora pouco. Pessoas que chegam diante de um juiz e um júri e declaram que após uma tentativa de arrancar a mão de um negro com uma faca, nada acontecerá com ele porque cadeia é para pobre, “preto”, puta e ele sendo filho de quem é, jamais irá acontecer uma punição justa. Trabalhos voluntários de algumas horas e cesta s básicas não devolvem uma mão, não devolvem a tranqüilidade, dignidade.

O que continua me espantando é a justificativa para tudo isso, que um branco jamais se casaria com um negro porque ele foi bem educado, ou seu filho nunca viraria gay porque o cidadão foi um pai presente, ninguém vira nada, não se escolhe quem se ama. Ainda aceitamos comentários do tipo: “uma ‘Bicha’ ou uma ‘Sapatão’ na rua é bizarro”, ou “tem que se fazer uma ‘limpeza’ dessa escoria da sociedade que está acabando com a moral e os tais bons costumes”.

Diretos são feridos e negados como no caso que não se pode aceitar a união de pessoas do mesmo sexo porque isso fere a Lei de Deus. O que pedimos não é permissão para ser homossexual, não queremos um show de horrores como muitos fanáticos religiosos tentam empurrar para a população, não estamos pedindo permissão para entrar em uma igreja de mãos dadas com os nossos parceiros e sim o puro e simples direito a assinar um papel que afirma que somos parceiros na vida, que nos dará o direito a autorizar um procedimento cirúrgico, a fazer aquisições sem ter que depois se preocupar com a família que virou as costas a nossa vida inteira tome algo que nós construímos juntos; em adotar uma criança, sem a absurda justificativa que isso não pode acontecer porque se não a criança também será homossexual. Se fosse assim eu seria heterossexual, pois nasci em uma família que a sociedade considera “ normal”. Nós “não somos normais”, mas nosso dinheiro é! O pão e circo das Paradas Gays, estão aí, onde milhões são movimentados a favor do comércio de rua, hotéis, boates, impostos e afins, mas na hora do retorno em favor dos LGBTs somos tratados como um “câncer” da sociedade. Será que ainda devemos contribuir com esse tipo de farra com nossa grana e continuar sendo tratados como “lixo” da sociedade?

Preconceitos a parte prefiro os rasgados, porque os velados só mostram o sorriso amarelo, de quem faz de conta que não se importa, mas chama um negro de “pretinho” um homossexual de “bicha” ou de “sapatona”, pessoas que são formadas e informadas, moldam caráter e educam, fazem leis e politicagem com nosso dinheiro suado, e o que fazem é corromper mais pessoas, infectando mais e mais com o vírus da discriminação, intolerância e preconceito.

Sei que este e-mail não mudará o mundo nem chegará a fazer a mínima diferença em média ou grande escala, mas me dou por contente com a reflexão íntima de quem o está lendo.

Sei que muitos como eu odeiam correntes e afins, mas peço que repassem esse e-mail, obrigada…

Erika C. Paz

 

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