Artigo: Dia Internacional da Mulher, por Prof.ª Joana Darc Faria de Souza e Silva

Dia Internacional da Mulher

“Nossos passos vêm de longe…”

(Sueli Carneiro)

 Já foi dito e consagrado que o 8 de março relembra as operárias têxteis de Nova York, mas poucas pessoas reconhecem que as mulheres russas lutavam por paz, pão e terra, inaugurando a revolução de 1917, além de outras tantas batalhas das mulheres de todo o mundo em defesa da dignidade dos povos.

            Hoje, a Marcha Mundial das Mulheres internacionalizada no ano 2000, construiu uma pauta comum de combate à pobreza e a violência sexista, decorrentes das desigualdades advindas do sistema perverso capitalista.

            O 8 de março serve também para relembrar inúmeras mulheres que desafiaram o poder e a sociedade, organizando, transformando e mostrando que um outro planeta é possível, sem exploração, sem discriminação, mais justo e sustentável, com equidade de gênero/etnia e classe. Aqui, lembramos de Bartira, Catarina Paraguaçu, Luiza Mahin, Rainha Nzinga, Aqualtune, Dandara, Rosa Luxemburgo, Clara Zetkin, Clara Charf, Margarida Alves, Lélia Gonzalez, Maria da Penha, e tantas outras militantes das causas populares.

            Desta vez, quero destacar neste 8 de março o papel da mulher negra e da mulher indígena na formação histórica e cultural da sociedade brasileira, ocultadas pela História oficial branca, masculina e eurocêntrica, muitas vezes preconceituosa e excludente.

            São elas (negras e indígenas) nos primeiros séculos do Brasil, são elas abolindo o Império, escravizadas, supostamente libertas, mas sempre exploradas, oprimidas e excluídas. No dizer de Angela Gillian: “No Brasil e na América Latina, a violação colonial perpetrada pelos senhores brancos, contra as mulheres negras e indígenas e a miscigenação daí resultante, está na origem do mito da democracia racial e de todas as construções de nossa identidade nacional. A desigualdade entre homens e mulheres é erotizada, a violência sexual contra as mulheres negras foi convertida em um romance”. Digo que tratar a questão como folclore é muito cômodo e mais fácil.

            Assim as discussões sobre a temática, tem grandes proporções, Conferências Internacionais, debates intensos, Declarações Oficiais da América Latina, Caribe, EUA e outros países, sobre as questões de gênero e seus desdobramentos.

            Enegrecer o feminismo, falar e pensar a mulher negra, implica entender a complexidade do ser negra na sociedade brasileira, historicamente capitalista, classista, racista, machista e patriarcal.Portanto, é preciso conscientizar que a mulher negra é discriminada três vezes: discriminação de classe, racial e sexual.

            Oxalá, as Escolas de todos os níveis, sejam um espaço de luta permanente, em defesa da justiça, da democracia e da paz, como fizeram as mulheres negras, não-negras, indígenas, no Quilombo de Palmares.

            A resistência é antiga e hoje contam com a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) com status de Ministério, para coordenar ações nas três esferas de governo – federal, estadual e municipal -, para a superação da discriminação racial e do racismo, por um Brasil unido na diversidade, e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM).

            Por isso é que seus passos vêm de longe, resistindo à teoria do branqueamento, nas irmandades, nos candomblés, nos terreiros, nas ruas como quituteiras, nas Conferências Internacionais, nos fóruns de debates e agendas de diversas atividades no Brasil e no exterior.

            O 8 de março é mais um dia de luta para marcar a resistência e as conquistas de todas as mulheres e homens por um mundo de justiça e paz.

Toledo, 08 de março de 2013

Prof.ª Joana Darc Faria de Souza e Silva

professora de História e especialista em Ensino da Cultura, Artes e História afro-brasileira e indígena na educação básica e especialista em Educação de Jovens e Adultos.

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